Sempre às quartas Nenhum Comentário

seg. 16 de agosto de 2010

Marcelo Ramos

 

Como vem acontecendo desde o mês de junho, foi realizado no último dia  18 de agosto,   mais um  “Comportamento e Consumo em debate“.

O evento é uma iniciativa da Coordenação de Gestão estratégica e do Mercado do SENAI/ CETIQT, por intermádio do seu Observatório de Comportamento e Consumo, que visa promover, no campus Barra da Tijuca, um ambiente acadêmico e cultural favorável ao debate de temas e idéias que colocam em pauta as tendências comportamentais e as práticas de consumo observadas na contemporaneidade.

 

São realizadas palestras mensais, proferidas por nomes importantes da área das Ciências sociais e Humanidades, bem como pelos professores e pesquisadores do SENAI/CETIQT, visando discutir, de uma forma interessante e acessível, questões que estão na ordem do dia e que são objeto de reflexão nas principais universidades do país e em importantes institutos de pesquisa do Brasil e do mundo.

 

As palestras acontecem uma vez por mêssempre às quartas feiras,  das 18h às 19h30m, no auditório do SENAI CETIQT, bloco 2, campus Barra da Tijuca, e são abertas ao público por meio de inscrição prévia. As inscrições devem ser feitas através do teleatendimento institucional (2582 1001), com vagas limitadas por encontro.

 

Já palestraram em nosso fórum as antropólogas Mirian Goldenberg, professora e pesquisadora do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Lívia Barbosa, pesquisadora do Centro de Altos Estudos em Propaganda e Marketing da ESPM – SP, referência no campo dos estudos sobre cultura e consumo no Brasil.

No dia 18 de agosto, “Comportamento e Consumo em debate” recebeu o antropólogo e professor do Departamento de Comunicação da PUC Rio, Everardo Rocha, com a palestra: “Coisas Estranhas, coisas banais: reflexões antropológicas sobre consumo”.

 

Para o mês de outubro, dia 20, está programada a palestra “Novos Olhares sobre o Cotidiano Feminino dos Produtos e Serviços de Beleza”com Letícia Casotti, Professora e Pesquisadora da área de Marketing e Negócios Internacionais do Instituto COPPEAD de Administração de Empresas da  UFRJ e coordenadora Cátedra  L’ Oreal em pesquisa de Pesquisas em Comportamento do Consumidor.   

 

 

Esperamos por você!

 

Ps: Excepcionalmente no mês de setembro, não será realizado o evento “Comportamento e Consumo em debate”. Nos dias 01 e 02 de setembro, ocorerrá, no Copacabana Palace, o 5º Seminário Internacional de Comportamento e Consumo do SENAI/ CETIQT, sob o tema Felicidade e Consumo.  Para mais detalhes, visite o hotsite do evento:  http://www.cetiqt.senai.br/novox/port/destaques/VSeminario/home.html

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Império da Criatividade Nenhum Comentário

seg. 26 de julho de 2010

Marcelo Ramos

 

Visitar museus e prédios antigos, alguns que abrigam importantes universidades e centros de pesquisa; contemplar a beleza arquitetônica que remonta aos áureos tempos; andar por um parque arborizado e se sentar na grama num dia de sol; ir a um restaurante ou bar tradicional e saborear comidas que remetem às raízes do local; curtir uma feira de artesanato e produtos regionais, ao som de músicas típicas; descobrir ateliês de artistas, designers ou estilistas, onde se pode encontrar e comprar bonitas  peças de vestuário, acessórios e decoração . Um roteiro básico em Paris? Não, em São Cristóvão!

 

Numa iniciativa alinhada ao decreto que (re)nomeou, em 15 de agosto de 2007, o bairro de São Cristóvão como “Bairro Imperial”, O SENAI/ CETIQT,  por intermédio do Departamento Nacional do SENAI, realizará, nos dias 27 e 28 de julho, no âmbito do projeto SENAI Design Futures, o Seminário Internacional “Bairro Imperial”.

A partir de um convênio estabelecido com o POLI.design, consórcio do Politécnico de Milão, o evento reunirá palestrantes nacionais e internacionais para discutir, sob diferentes enfoques, como o presente do bairro de São Cristóvão configura-se em uma experiência magnética que atrai para si o passado, ao mesmo tempo que revela, no melhor estilo do “equilíbrio de antagonismos” e da “mistura” à brasileira, seu talento para a inovação.

As palestras, que ocorrerão no primeiro dia do evento, abordarão a história e cultura do lugar e o olhar estrangeiro sobre o “Bairro Imperial”, explorando também a configuração da região, em seus aspectos geográficos, arquitetônicos, de urbanização e de ocupação. O objetivo é fornecer elementos para a reflexão sobre o “DNA São Cristóvão”, destacando não apenas a identidade com o Império Luso-Brasileiro dos 800, mas principalmente a sua constituição gradativa em um “Império da criatividade” dos anos 2000.  Além do valor histórico, o bairro abriga atualmente inúmeras marcas de moda, estúdios de design e show room de fábricas, que o posiciona como um importante centro de inovação na cidade.

 

A programação do evento inclui ainda um workshop de criação, a ser realizado no dia 28/07, sob a orientação de professores e pesquisadores do Poli.Design e do SENAI/ CETIQT. Trata-se de uma ação de incentivo ao design desenvolvido e produzido na cidade do Rio de Janeiro, que busca fortalecer a cultura do design e demarcar o bairro de São Cristóvão como um “distrito de criatividade” 

 O Seminário Internacional Bairro Imperial  será realizado no Museu Militar Conde de Linhares, situado à  Av. Pedro II, 383, no próprio bairro de São Cristóvão. Para outras informações e inscrições, entre em contato com a Central de atendimento do SENAI/ CETIQT, pelo tel: 25821001.

Você não pode perder! Últimas vagas!

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Consumo de Idéias 4 Comentários

qui. 8 de julho de 2010

Marcelo Ramos 

 

 

O crescimento  econômico brasileiro; o aumento do poder de consumo das classes médias; o  “novo luxo”, baseado na  simplificação, inovação,  qualidade, funcionalidade e beleza dos objetos; a sustentabilidade na escolha da matéria prima e nos processos produtivos como importante valor agregado aos produtos e às marcas;  a “oniconectividade“; o aumento da reflexividade e o protagonismo do consumidor; a força das tradições culturais e dos talentos locais num mundo globalizado; a valorização do corpo, da beleza e da juventude na nossa cultura; e os reflexos desses fatores na busca humana por uma existência (mais) feliz são, entre outros, temas que merecem ser investigados e debatidos para a compreensão da nossa época e o delineamento de cenários futuros do consumo.

Nessa perspectiva, o SENAI CETIQT lançou, no último dia 22 de junho, o fórum “Comportamento & Consumo em Debate”:  uma iniciativa da Coordenação de Gestão estratégica e do Mercado do SENAI/ CETIQT, por meio do seu Observatório de Comportamento e Consumo, que visa promover, no campus Barra da Tijuca, um ambiente acadêmico e cultural favorável ao debate de temas e idéias que colocam em pauta as mudanças comportamentais e de valores observadas na contemporaneidade e seus reflexos nos estilos de vida, de pensamento e de consumo dos indivíduos.  

Serão realizadas palestras mensais, proferidas por nomes importantes da área das Ciências sociais e Humanidades, bem como pelos professores e pesquisadores do SENAI/CETIQT, visando discutir, de uma forma interessante e acessível, questões que estão na ordem do dia e que são objeto de reflexão nas principais universidades do país e em importantes institutos de pesquisa do Brasil e do mundo.

 As palestras acontecerão uma vez por mês, das 18h às 19h30m, no auditório do SENAI CETIQT, bloco 2, campus Barra da Tijuca, e serão abertas ao público por meio de inscrição prévia. As inscrições deverão ser feitas através do teleatendimento institucional (2582 1001), com vagas limitadas por encontro. 

 

 As datas das palestras, com a especificação dos temas a serem abordados e dos respectivos palestrantes, serão divulgadas, com a devida antecedência, no site do SENAI CETIQT e aqui no Blog Comportamento & Consumo.

 

O evento de lançamento contou com a participação da antropóloga Mirian Goldenberg, que apresentou, com grande sucesso, a palestra “Modas do corpo: gênero, beleza e consumo na cultura brasileira”, discutindo questões centrais presentes nos seus livros “Nu&vestido”, “Coroas” e “O corpo como capital”.  

 

No evento desse mês, dia 14 de julho, o forum “Comportamento & Consumo em debate” recebeu a antropóloga Livia Barbosa, pesquisadora do Centro de Altos Estudos em Propaganda e Marketing da Escola Superior de Propaganda e Marketing de São Paulo , com a Palestra “Sociedade do Consumo e Felicidade”  

 

Esperamos você em agosto!  

 

 

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“O Corpo” e um Marido 4 Comentários

sex. 16 de abril de 2010

Marcelo Ramos

Qual a importância da aparência no mercado de trabalho?

Com essa pergunta de abertura, o Jornal da Globo, do dia 30/03, chamava atenção para uma reportagem sobre o valor da aparência e da forma física na atualidade, com especial destaque para o caso brasileiro.

Com o intuito de pensar a aparência como uma riqueza que pode determinar ganhos em diferentes campos na sociedade contemporânea, a reportagem fez referência ao conceito de “capital erótico”, criado por uma pesquisadora britânica, para falar da importância de alguns aspectos físicos (beleza e “boa forma”) e de personalidade (carisma) para o sucesso nos campos profissional e afetivo. Como destacou o jornalista William Waack ao apresentar a matéria: “um nome novo para uma idéia antiga”. Idéia que já foi amplamente discutida pela antropóloga brasileira Mirian Goldenberg no livro “O corpo como capital: gênero, sexualidade e moda na cultura brasileira”, publicado em 2007 e reeditado, em versão revista e ampliada, neste mês de abril.

A segunda edição traz como novidade um interessante prefácio da organizadora, que incorpora ao livro a discussão sobre o chamado “capital marital”, outro conceito chave criado por Mirian Goldenberg para pensar o valor do marido na vida das mulheres brasileiras.  A coletânea apresenta ainda um texto novo de apresentação, onde são feitas algumas considerações sobre  a relação entre  o corpo como capital na nossa cultura e os ideais de felicidade de homens e mulheres brasileiros. O texto, de minha autoria, foi escrito especialmente para apresentação dessa segunda edição do livro, tendo como referência as minhas impressões de campo durante a realização da pesquisa Happiness Brasil, que vem sendo desenvolvida pelo Observatório de Comportamento e Consumo do SENAI CETIQT nas principais capitais do país.  

Para saber um pouco mais sobre o valor do corpo e do marido na nossa cultura, conversamos com Mirian Goldenberg.

Mirian Goldenberg é Professora do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-graduação em Sociologia e Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.     

 

 

Mirian, como surgiu e a que se refere o conceito de “corpo como capital”?

MG:       Venho construindo essa ideia desde 1998, quando iniciei uma pesquisa na cidade do Rio de Janeiro.  O conceito surgiu a partir das minhas reflexões sobre as obras do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Meu argumento central é que, no Brasil, determinado modelo de corpo, que Pierre Bourdieu chamaria de um corpo distintivo, é um capital: um corpo jovem, magro, em boa forma, sexy.

Acredito que, na cultura brasileira, determinado modelo de corpo é uma riqueza, talvez uma das mais desejadas pelos indivíduos das camadas médias urbanas e também das camadas mais pobres, que percebem seu corpo como um importante veículo de ascensão social. Neste sentido, além de um capital físico, o corpo é, também, um capital simbólico, um capital econômico e um capital social.  Eu e você elaboramos esta ideia no capítulo que escrevemos juntos para o livro Nu e vestido.

Um dado recente mostra a importância que o corpo adquiriu na cultura brasileira e demonstra como ele pode ser um importante capital. Em 2008, a revista norte-americana Forbes elegeu as 100 celebridades mais poderosas do mundo. Os únicos brasileiros da lista são a modelo Gisele Bündchen e o jogador Ronaldinho Gaúcho. Gisele, segundo a revista, faturou US$ 35 milhões em 2007, enquanto Ronaldinho faturou US$ 37 milhões. Não é à toa que as duas profissões são, atualmente, muito desejadas por meninos e meninas das camadas mais baixas, mas, também, das camadas médias brasileiras.

É dentro deste quadro que analiso a categoria “o corpo” que apareceu na pesquisa quantitativa que realizemos no universo das camadas médias cariocas. Surpresos com a recorrência desta categoria, em uma pesquisa que investigava os valores e comportamentos a respeito de temas como sexualidade, casamento e infidelidade, descobrimos que “o corpo” é um valor e, também, um verdadeiro capital no universo pesquisado.

 

Em sua pesquisa atual, “corpos, envelhecimento e identidades culturais”, você pesquisou algumas mulheres alemãs. O que você encontrou ao comparar o discurso das mulheres alemãs com o das brasileiras?

MG:       A partir da ideia do corpo como um capital, passei a refletir sobre o significado do envelhecimento feminino na sociedade brasileira. Em uma cultura em que o corpo é um importante capital, no mercado de casamento, no mercado sexual e no mercado profissional, como as mulheres vivenciam o envelhecimento? Quais os principais medos das brasileiras ao envelhecerem? Qual o significado do envelhecimento em determinados segmentos sociais?

Após uma viagem de dois meses pela Alemanha, em junho e julho de 2007, onde ministrei oito palestras em diferentes universidades com o título “O corpo como capital na cultura brasileira”, iniciei uma pesquisa na cidade do Rio de Janeiro com mulheres na faixa etária de 50 a 60 anos, das camadas médias e altas. Realizei sete grupos de discussão e, também, entrevistas em profundidade, assim como a aplicação de questionários com perguntas abertas. Comparando o discurso das brasileiras pesquisadas, com o de algumas mulheres que entrevistei na Alemanha, da mesma idade e também das camadas médias, pude perceber algumas semelhanças e diferenças interessantes para serem analisadas.

Em primeiro lugar, a ênfase na decadência do corpo e na falta de homem é uma característica do discurso das brasileiras. A ideia de falta, de invisibilidade e de aposentadoria só apareceu no discurso das brasileiras. As alemãs enfatizaram a riqueza do momento que estão vivendo, em termos profissionais, intelectuais e culturais. Consideram os cinqüenta um momento de grande realização e possibilidades, valorizam o trabalho, a saúde e a qualidade de vida que conquistaram. O corpo, para elas, não é tão importante, a aparência jovem não é valorizada e, sim, a realização profissional, a saúde e a qualidade de vida. Algumas me disseram que não compreendiam por que a mulher brasileira gosta de receber elogios e cantadas na rua. Uma me disse, enfaticamente: “você mesma é que deve se sentir atraente. Você não precisa de ninguém para dizer se é atraente ou não. É muito infantil esta postura. Eu sei avaliar se sou atraente ou não. É só me olhar no espelho. É uma falta de dignidade ser tão dependente dos homens”. Outra me disse que a personalidade é muito mais importante no jogo da sedução do que o corpo. Elas disseram que o que importa é a individualidade, a inteligência e a conversa. Uma das afirmações que ouvi recorrentemente das alemãs foi: “eu sou uma mulher emancipada”, não só economicamente, mas, principalmente, psicologicamente.

Uma das primeiras constatações ao comparar as brasileiras e alemãs pesquisadas, é que a emancipação da mulher alemã, no universo pesquisado, é bastante evidente. As mulheres que estou pesquisando são da geração pós-guerra e pós-movimento feminista. São mulheres que trabalham, independentes economicamente, algumas não têm filhos, escolha tão legítima na Alemanha quanto aquelas que têm filhos. São casadas com homens de idade semelhantes à delas, são divorciadas ou solteiras.

 

Você encontrou, entre as suas pesquisadas, algum aspecto considerado positivo no envelhecimento?

MG:       As brasileiras que pesquisei trabalham ou são aposentadas. Todas são ou foram casadas, todas têm filhos, todas já cumpriram (ou ainda cumprem) o papel de esposa e mãe. Os cinqüenta, para algumas das brasileiras pesquisadas, é um momento de libertação do papel de esposa e mãe, para “ser eu mesma pela primeira vez”, frase recorrente no discurso delas.

Enquanto emancipação foi a palavra recorrente das alemãs, liberdade foi o que as brasileiras disseram. Há ainda uma outra diferença, a emancipação das alemãs foi uma conquista de toda a vida, desde jovens. A liberdade das brasileiras parece ser uma conquista tardia, após elas cumprirem os papéis obrigatórios de esposa e mãe.

A frase “hoje eu posso ser eu mesma pela primeira vez na minha vida” foi repetida por muitas brasileiras que percebem o envelhecimento como uma redescoberta, altamente valorizada, de um “eu” que estava encoberto ou subjugado pelas obrigações sociais, especialmente no investimento feito no papel de esposa e de mãe. As ideias de reencontrar-se, reinventar-se, redescobrir-se apareceram muito entre as brasileiras, sempre associada ao fato de fazerem, hoje, as coisas que mais gostam: estudar, ler, conversar com as amigas, sair sozinha, ter tempo para si mesma, viajar ou, até mesmo, encontrar um novo prazer com o marido assumindo mais os próprios desejos, e não buscando agradá-lo.

Mesmo as que são casadas, sentem-se mais livres após os cinqüenta para “serem elas mesmas”. Algumas redescobrem prazeres e vocações deixadas de lado em função do casamento e da maternidade, retomados após os filhos estarem mais velhos.

As alemãs me pareceram muito mais individualizadas e independentes da figura masculina. Elas enfatizaram muito em seus discursos a realização profissional, o respeito e o reconhecimento que conquistaram no mundo do trabalho. Ouvi, durante muitas horas, relatos sobre as disputas que venceram em suas profissões. Já as brasileiras falaram a maior parte do tempo sobre o homem, seja pela presença dele em suas vidas, altamente valorizada e necessária para a sua satisfação, seja para reclamar de sua falta. Um dos fatos que chamou minha atenção foi que as brasileiras falaram pouquíssimo de seus filhos e, menos ainda, de suas atividades profissionais. É interessante destacar que, nos grupos que pesquisei, o fato de viajarem, conversarem com as amigas, saírem sozinhas ou descobrirem uma nova atividade (um curso de filosofia, um curso de pintura ou um grupo religioso), apareceu com muito mais destaque do que os filhos e o trabalho. Poucos foram os momentos em que falaram de seus pais ou mães e mais raros ainda os que falaram de seus netos, apesar de algumas serem avós.

Em minha observação comparativa destes dois universos, as alemãs me pareceram muito mais confortáveis com o seu envelhecimento do que as brasileiras. No Brasil, tenho observado um abismo enorme entre o poder objetivo das mulheres pesquisadas, o poder real que elas conquistaram em diferentes domínios (sucesso, dinheiro, prestígio, reconhecimento, e, até mesmo, a boa forma física) e a miséria subjetiva que aparece em seus discursos (gordura, flacidez, decadência do corpo, insônia, doença, medo, solidão, rejeição, abandono, vazio, falta, invisibilidade e aposentadoria). Observando a aparência das alemãs e das brasileiras pesquisadas, as últimas parecem muito mais jovens e em boa forma do que as primeiras, mas se sentem subjetivamente muito mais velhas e desvalorizadas do que elas. A discrepância entre a realidade objetiva e os sentimentos subjetivos das brasileiras me fez perceber que aqui o envelhecimento é um problema muito maior, o que pode explicar o enorme sacrifício que muitas fazem para parecer mais jovens, por meio do corpo, da roupa e do comportamento. Elas constroem seus discursos enfatizando as faltas que sentem, e não suas conquistas objetivas.

 

Qual é a relação entre os conceitos de “corpo como capital” e “capital marital” apresentado nessa segunda edição do livro?

MG:       É interessante observar que, tanto no discurso de vitimização quanto no de libertação, dois foram os eixos centrais das brasileiras pesquisadas: o corpo e a relação conjugal, mais especialmente o(s) casamento(s) de cada uma delas. O corpo foi tanto objeto de extremo sofrimento (em função de suas doenças ou decadência) ou de extremo prazer (em função da maior aceitação e cuidado com ele). Os parceiros amorosos foram, também, objeto de extrema dor (alcoolismo, machismo, violência, autoritarismo, egoísmo, abandono, rejeição, faltas) ou de extremo prazer (companheirismo, prazer sexual, cumplicidade).

Diferentemente das alemãs, as brasileiras centram o seu discurso na figura masculina, seja na falta de homem, seja na sua presença. As que se mostraram mais satisfeitas com suas vidas, entre as brasileiras pesquisadas, são aquelas casadas há muitos anos. Mesmo estas, disseram que os homens são mais frágeis, dependentes, acomodados, ingênuos, inseguros, imaturos e infantis. O interessante é que, em quase todos os casos, o marido é o principal provedor familiar, tendo uma renda muito superior à da esposa. Algumas brasileiras disseram que seus maridos ligam vinte vezes por dia para o celular, que eles ficam deprimidos quando elas viajam, ou que precisam delas o tempo todo. Os depoimentos enfatizam que “ele precisa muito de mim”, “ele não sabe ficar sozinho”, “ele precisa de mim para cuidar dele”.

Ao analisar os depoimentos femininos, é possível constatar que, além do corpo ser um capital importantíssimo no Brasil, o marido também é um capital, talvez até mais importante do que o corpo nesta faixa etária. Um marido, um casamento sólido e satisfatório, foi o que as pesquisadas mais valorizaram em seus depoimentos. Em um dos grupos realizados, uma mulher magra, bonita e com a aparência muito jovem disse que sentia inveja de uma outra pesquisada, por ela ter um casamento de trinta anos. O detalhe é que a segunda era gorda e com uma aparência muito mais velha do que a primeira. A magra disse: “Eu tive e tenho muitos namorados, mas não consigo ter um companheiro, um marido. Senti inveja quando você falou do seu relacionamento de trinta anos, eu nunca consegui ter isso, não sei porque”.

Utilizei, então, mais uma vez, as ideias de Pierre Bourdieu para criar um novo tipo de capital, que não teria peso nenhum para as mulheres alemãs, mas que parece ser extremamente importante para as brasileiras. Um capital que chamo de “capital marital”. Ter um marido é um verdadeiro capital para a mulher brasileira. Por outro lado, as brasileiras pesquisadas também parecem poderosas por, além de terem um marido, sentirem-se mais fortes, independentes e interessantes do que eles (mesmo que eles ganhem muito mais do que elas e sejam mais bem sucedidos em suas profissões). Portanto, em um mercado em que os maridos são escassos, principalmente na faixa etária pesquisada, as brasileiras casadas sentem-se duplamente poderosas: por terem um produto raro e extremamente valorizado no mercado e por se sentirem superiores e imprescindíveis para seus maridos.

Em uma cultura, como a brasileira, em que o corpo é um importante capital, o envelhecimento pode ser vivenciado como um momento de grandes perdas (de capital). Em uma cultura, como a alemã, em que os capitais mais valorizados são outros, como o profissional, o científico e o cultural, o envelhecimento pode ser vivido como um momento de inúmeros ganhos e de muitas realizações e, especialmente, de extrema liberdade. Liberdade também muito valorizada, ainda que tardiamente, pelas brasileiras pesquisadas.

Postado em: Comportamento, Cultura, Pesquisa

Classes e Estilos de Pensar 1 Comentário

sex. 15 de janeiro de 2010

Marcelo Ramos

 

Na Antropologia, ciência que privilegia os métodos qualitativos de pesquisa, quando definimos os nossos objetos de estudo, costumamos adotar uma categoria do senso comum ou “nativa” que os classificam pelas suas práticas comuns, como, por exemplo, “os marombeiros”, “os swingers” etc. Em geral, nesses casos, não há questionamentos sobre quem são os nossos pesquisados.

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No entanto, quando pesquisamos fenômenos como o consumo, que não dá nome a um grupo em particular, esbarramos sempre em dificuldades para definirmos o nosso objeto de estudo, assim como na “desconfiança” de quem nos lê, especialmente quando não se trata de consumo de luxo nem de consumo popular.  

 consumo

Definir aqueles que estão no meio, que não são apenas uma coisa ou outra, não é tarefa das mais simples. Quando utilizamos conceitos como o de “camadas médias urbanas” para definirmos o nosso objeto de estudo fica sempre a dúvida sobre de quem estamos falando. Para aqueles que ainda duvidam da legitimidade dos dados coletados em trabalho de campo, conceitos como esse são apenas artifícios para nos referirmos à meia dúzia de conhecidos que entrevistamos em nossas pesquisas.

O curioso é que, quando se trata de pesquisas, em geral quantitativas, que se referem aos pesquisados como sendo das classes A, B, C, D ou E, a partir de critérios muitas vezes questionáveis, as críticas não são tão duras.

 classes sociais

 

No último Seminário Internacional de Comportamento e Consumo do SENAI CETIQT, Alberto Carlos Almeida, Cientista Político que se tornou especialista em testar teorias qualitativas por meio de métodos quantitativos, como fez com as teorias de Roberto DaMatta sobre o Brasil em “A Cabeça do Brasileiro”(Ed. Record, 2007), nos mostrou que, quando se fala em classes, é a “Classe C”  a que  melhor representa o Brasil. É aquela que tem os mesmos desejos de consumo da classe A/B e que tem um discurso que se situa “na média”, comparado com o das demais classes.

 

Uma  boa ilustração para essa discussão foi um episódio de 2009 do programa “A grande família”, transmitido pela Rede Globo de Televisão, que abordou as  mudanças comportamentais relativas aos usos da Tecnologia da Informação e da Comunicação na vida cotidiana dos indivíduos dessa “classe C”, representada pela família de Lineu e Nenê e seus vizinhos.

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 Nesse episódio, a personagem Nenê confessou à amiga Marilda que tem o hábito de entrar na internet, escolher produtos, fazer a compra e, na hora de pagar, não completar o processo. Tudo só para sentir o prazer momentâneo de estar comprando algo que gostaria muito, mas que não tem dinheiro para comprar. No caso, um fogão em aço inox, com seis bocas. 

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Marilda, se dizendo entediada devido à monotonia da sua vida, sem um príncipe encantado, namorado ou marido, também entrou na brincadeira de Nenê e passou a fingir comprar casacos e roupas de frio para uma suposta viagem à Europa.

-“Escandinávia maravilhosa, 23 dias, ou Paris Incrível, 15 dias?”, perguntou-se. “Vou escolher Paris, é mais romântico”.

 Quando percebeu que Marilda tinha se viciado na brincadeira, Nenê tentou convencer Marilda a largar o computador, os seus sonhos de classe A/B, e ir se divertir com ela e Lineu no “Petisco da Velha”.

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 Atraída pela realidade virtual, Marilda se recusou a trocar Paris pelo Petisco da Velha. Afinal, em Paris, ela estava sentindo o friozinho da noite, num Bistrô próximo à Tour Eiffel, tomando um vinho francês, acompanhada do seu príncipe encantado.

 

Como revelam os dados da pesquisa realizada por Alberto Carlos Almeida, os sonhos de consumo da classe C são os mesmos das classes A/B. O que significa dizer também que distância ou proximidade de classe não se confunde com distância ou proximidade no “estilo de pensar”.  

 

Postado em: Comportamento, Consumo, Pesquisa

DNA Ipanema Nenhum Comentário

ter. 22 de dezembro de 2009

                                                                                               Marcelo Ramos

 

Ontem, começou oficialmente o verão. No Rio de Janeiro, céu azul, calor e muita gente na praia, afinal, para muitos, as férias já começaram.

Para celebrar esse momento, falaremos hoje sobre Ipanema, bairro símbolo do verão carioca e um verdadeiro celeiro de tendências.

Cantada em verso e prosa e conhecida internacionalmente como o lugar onde a menina, linda e cheia de graça, segue, com seu doce balanço, a caminho do mar, Ipanema é, sem dúvida, junto com Copacabana, o lugar que reúne o maior número de elementos que compõem o imaginário sobre o Rio de Janeiro (e o Brasil) dentro e fora do país. 

ipanema

 

Sua praia aparece na edição especial da revista Época “O melhor do Rio” como um dos destaques da cidade e a preferida dos leitores. São dois quilômetros de extensão onde tudo parece exaltar a diversidade, a mistura, os antagonismos, os contrastes, a beleza, o contato com a natureza, a descontração e a transgressão que fazem parte do lifestyle carioca.

Galera de Ipanema

 

Não podemos esquecer, porém, da Ipanema mais sofisticada, dos negócios arrojados, do consumo, do culto ao corpo, da moda, da gastronomia, que não parou de crescer nas últimas décadas, trazendo novos e importantes elementos para as representações sobre o bairro e para o seu desenvolvimento.  

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Para conversar conosco sobre as diferentes facetas de Ipanema, convidei a antropóloga Marisol Goia, Mestre em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, com a dissertação “A província da Ousadia: Representações Sociais Sobre Ipanema” e Doutoranda em Antropologia Urbana pela Universidade de Tarragona, Espanha.  

Marisol

 

Marisol, o que te levou a estudar as representações sobre o bairro de Ipanema?
MG: Tive motivações pessoais e intelectuais para a pesquisa sobre Ipanema. Residi ali desde pequena, com uma constante sensação de que havia “algo equivocado”, pois morar em um apartamento confortável nesse bairro não era condizente com as condições financeiras da minha família. Sob o aspecto econômico, éramos, sem dúvida “peixes fora d`água” de Ipanema, pagando com muito sufoco taxas elevadas de aluguel e condomínio. Por outro lado, comecei a perceber, sobretudo quando entrei na universidade e passei a freqüentar circuitos para além da Zona Sul, que a contradição que eu vivia não me livrava de ser identificada (e, às vezes, até mesmo estigmatizada) como uma pessoa que não só era “de Zona Sul”, como vivia na “nata” dessa zona. Observar de perto esses sistemas de rotulação referentes às zonas e bairros cariocas, vivendo, simultaneamente, a ambigüidade de estar em um bairro rico sem ser rica, me levou a refletir sobre a construção de fronteiras simbólicas na cidade do Rio de Janeiro. Com relação às motivações intelectuais, observava como os meios de comunicação produzem e reproduzem representações sobre o bairro de Ipanema, recorrendo a idéias diferentes e que, por vezes, se contradizem: Ao mesmo tempo em que Ipanema é divulgada como um emblema do “espírito carioca”, também aparece como um bairro distintivo e requintado. O ipanemense é associado a estilos de vida transgressores, inovadores e vanguardistas, mas também é valorizado por comportamentos de conformidade normativa, como o estilo de vida consumista e a busca pelo corpo perfeito. Diante disso, me interessei em analisar a construção simbólica dessas duas “Ipanemas”.

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Nessas representações, que elementos compõem o que podemos chamar de “DNA Ipanemense”?

MG: De um lado, temos a Ipanema das décadas de 60 e 70, enaltecida pelo seu caráter libertário, transgressor, boêmio e inovador. Por outro, temos a Ipanema atual, associada a valores como elegância, sofisticação, moda, consumo, despojamento, beleza e corpo em forma. Poderíamos dizer que o primeiro “DNA ipanemense” se encontraria no corpo de Leila Diniz e de Fernando Gabeira, insistentemente associados ao bairro pelas polêmicas geradas pela exposição de seus corpos; ela, uma atriz grávida de biquíni, e ele, um ex-exilado político de tanga.

Leila e Gabeira

Com relação à Ipanema de hoje, as personalidades que costumam aparecer nos meios de comunicação como portadoras do “DNA ipanemense” são a apresentadora Cynthia Howlett, representante do “despojamento” da geração-saúde das elites, e os empresários Alexandre Accioly, o galã bem-sucedido dos estabelecimentos “badalados” da cidade¸ e Oskar Metsavaht, proprietário e estilista da grife Osklen.

Descolados

 Antes representada por intelectuais, artistas e boêmios e hoje associada ao que você chama de uma “aristocracia informal”, à sofisticação e a uma ética do consumo. O que mudou e o que permaneceu o mesmo nas representações sobre Ipanema?

MG: É interessante observar como essas duas representações sobre Ipanema ainda convivem, pois o passado do bairro continua sendo lembrado e, inclusive, construído no presente. A Ipanema de antes é uma referência central para a de hoje, ainda que os mais nostálgicos afirmem que “aquela” Ipanema acabou. É verdade que cada uma evoca éticas próprias de seu tempo, mas isto não significa que certos aspectos não tenham permanecido. Acredito que continue havendo uma relação significativa entre a praia de Ipanema e os jovens da cidade – já que ela atrai freqüentadores de diversas procedências, tanto da cidade, como de fora dela. Penso que essa relação com a juventude contribui para o fenômeno tradicionalmente associado a Ipanema: ser “um bairro que lança modas”.

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Estudos sobre tendências comportamentais realizados pelo Observatório de Comportamento e Consumo do SENAI/ CETIQT, em parceria com o instituto italiano Future Concept Lab, revelam a emergência de um estilo de vida urbano, que valoriza o despojamento (não ostentação), o contato com a natureza e a sustentabilidade. Diante desse cenário, você considera que o bairro de Ipanema ocupa um lugar estratégico no Brasil?

MG: Sem dúvida. A representação da Ipanema praiana, descolada, “de chinelo tomando água de coco”, mas que – e isto é importante – não deixa faltar sua dose de elegância e “classe” é muito lucrativa!

Lojas

Basta observar como a identidade de marca e o estilo de certas lojas se ancoram nas simbologias do bairro. O caso da Osklen é ilustrativo desse fenômeno. Em 2004, por exemplo, a grife lançou uma coleção chamada “United Kingdom of Ipanema”, estampando referências do bairro, como “Arpoador” e “Posto 9″ em roupas e acessórios. A explicação de que “Ipanema tem uma vida urbana cosmopolita integrada à natureza” foi inclusive o argumento utilizado por Oskar Metsavaht para falar à imprensa sobre a inspiração para essa coleção.

osklen

Postado em: Comportamento, Consumo, Cultura, DNA Brasil, Moda, Tendências

A Pulsante Nova York Nenhum Comentário

qua. 9 de dezembro de 2009

Patricia Dalpra

 

Eu, frequentadora assídua de Nova York, seja por questões pessoais seja por motivos profissionais, amo esta cidade e tudo o que ela oferece: novos movimentos comportamentais, de gastronômia e de consumo – um verdadeiro laboratório para nós do Observatório de Comportamento e Consumo do SENAI CETIQT, que trabalhamos com o monitoramento de tendências e comportamento de consumo.

 

A cidade continua  frenética. Mesmo com várias lojas fechadas devido à grave crise que atingiu o país no ano passado e que agora começa a dar sinais de recuperação, Nova York não perde o título de  cidade do consumo. São pessoas de todo o mundo que consomem,  consomem e consomem indiscriminadamente.  As lojas estão sempre oferecendo aquela oportunidade única … imperdível!!!

 

É bem verdade que as lojas de grife não estavam assim tão movimentadas, mas aquelas  mais acessíveis aos nossos bolsos era uma festa… H&M com a linha do Jimmy Choo e a nova Top Shop no Soho estavam sempre abarrotadas de gente.

Top Shop_Soho (19)

Top Shop_Soho (16)

Nova York é uma cidade incrível que, a cada esquina, nos proporciona uma experiência diferente.

O bairro do momento é o Meatpacking.  Um bairro revitalizado que, com suas galerias de arte e vida noturna, virou endereço preferido dos artistas, modernos e boêmios.  Lá nos deparamos com o belíssimo The Standard, um hotel feito para sonhar… . Dentro do hotel encontramos o restaurante The Standard Grill, um  dos locais mais cool da cidade.

The Standard

 

 

 A Broadway continua a mesma, com seus inúmeros espetáculos. Um dos musicais em destaque nessa estação é Billy Elliot .

 Billy Elliot

 Outro espetáculo que merece destaque é o show performático Fuerza Bruta. Não tão novo, mas imperdível para quem passar pela Big Apple. Uma experiência inesquecível, na qual diferentes sensações são produzidas tanto pelo inusitado show quanto pela platéia. Uma platéia eclética que, dependendo da sorte, fará o show ainda mais interessante. Para quem estiver programando uma passadinha por lá, vale a pena conferir.

 Nova York, sempre na vanguarda, nos oferece aquilo que buscamos, e neste momento, nós, consumidores, estamos ávidos por novas experiências.

Fuerza Bruta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Postado em: Comportamento, Consumo, Moda, Tendências, experiência

“Street Art and the City” 2 Comentários

ter. 8 de dezembro de 2009

 Patricia Dalpra

 

“A arte contemporânea tradicional já pode ser considerada conservadora”.

                                                                                                     Teixeira Coelho

 

 

Está aberta, desde 20 de novembro, no Museu de Artes de São Paulo, o MASP, a mostra De Dentro pra Fora/De Fora pra Dentro. Trata-se de  um movimento de reconhecimento da galeria, Choque Cultural, que entra no circuito das artes. A exposição reúne seis artistas intitulados “grafiteiros” que promovem, através das suas obras, uma conversa entre sociedade e arte.  

Em uma conversa com Sabrina Donzelli, pesquisadora do Future Concept Lab, falamos sobre sua pesquisa em cima do tema Street Art.

Vejam abaixo, algumas algumas considerações da pesquisadora:   

 Há alguns anos, a experiência e a percepção do espaço urbano têm sido baseadas na experiência e conceito de “passagem”, onde a cidade se torna a mídia, o canal e a linguagem para definir novas formas de comunicação. A evolução do “signo/marca” nas cidades (do centro para a periferia) e seus cruzamentos nos diferentes níveis de comunicação, são coletados e re-lançados nos trabalhos do artista de rua.

 

Num território fértil para a arte de rua como o Brasil, uma nova geração de artistas está redefinindo as formas de expressão e comunicação, criando novos conceitos de intervenção urbana. Nascida no cenário underground (sobretudo nos EUA, especialmente em Nova Iorque) a arte de rua de hoje rompe as barreiras institucionais da cultura e promove um diálogo com a cidade, no intuito de envolver o máximo de pessoas possível no espaço público. Este tipo de arte urbana se torna única, caracteriza os espaços e recria as paisagens, por meio de iniciativas em diferentes níveis: de pequenas ações com adesivos, às grandes instalações de arte nas praças, nas ruas e nos edifícios. É, desta forma, uma linguagem tida como instrumento crítico e investigativo para desenvolver a comunicação de valores e intenções da sociedade, capaz de permitir o acesso direto e promover uma relação direta (corporal, física) do público com a obra de arte.

 

Apenas um exemplo entre a multiplicidade de expressões e experiências criativas brasileiras: desde cedo na sua carreira, o artista de São Paulo Alexandre Orion tem trabalhado a respeito do impacto social do grafite nas comunidades urbanas, questionando a relação entre estas duas entidades, e analisando a interação entre a realidade e sua representação artística. O trabalho deste fotógrafo emerge das ruas férteis do Brasil, onde toda uma geração de artistas grafiteiros está trabalhando para redefinir este gênero artístico. Dentre os trabalhos bem sucedidos de Orion, o projeto Metabiotics enfoca a relação entre o significado do signo artístico, o território urbano e a vida quotidiana das pessoas, com seu potencial de transformação vital.

figura 1

É crescente a emergência de espaços disponíveis para arte de rua, dos   limites dos lugares de pertencimento e chegando a “tocar” outros contextos e países… envolvendo o público e instituições com suas mensagens de uma nova possível e sustentável coexistência no mundo inteiro. Tem-se como exemplo dois artistas de rua franceses e seus trabalhos:

Após mais de um ano de planejamento, o fotógrafo francês JR “vestiu” 2000 metros quadrados da maior favela da África (onde moram mais de um milhão de habitantes) com enormes pôsteres de rostos e sorrisos de mulheres de Kibera. O material usado é à prova de água, protegendo, assim, as frágeis casas na época de temporais. JR também montou pôsteres nos trens que passam duas vezes por dia pela favela ao cume que separa a linha férrea das casas: todos os trens que passavam completavam os rostos, fazendo deles perfeitamente visível.

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Outra experiência significativa é de Zevs, famoso e provocativo artista de rua francês.  No seu mais recente evento, o ZEVS’ Liquidated Logos,  exibido na Art Statements Gallery em Hong Kong, o artista não esteve presente na abertura, pois havia sido preso na noite anterior por ter bombardeado de cores a flagship store da Armani. Com seu famoso drip style, ele pintou na fachada da loja um logo da Chanel desfigurado, que escorreu pela parede, para “refletir a guerra de marcas”. O tema sobre o culto às marcas de moda de luxo, por meio da utilização de seus respectivos logotipos, é também abordado dentro da exposição, e não apenas na forma líquida: pinturas, desenhos, e também trabalhos em metal ou cerâmica celebram ironicamente  o encontro entre a esfera da “Logo” e a arte de rua, entre o fenômeno do luxo e as incursões críticas e criativas da contracultura.

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Postado em: Arte, Criatividade, Cultura, Inovação, Tendências

Por um Corpo Sarado 5 Comentários

qui. 5 de novembro de 2009

Marcelo Ramos

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Quantas vezes você já parou para pensar que poderia estar em “melhor forma”? Mesmo pequena, alguma insatisfação sempre existe… Se você é mulher, estar em melhor forma significa, em geral, estar mais magra. Já se você é homem, a melhor forma pode estar associada à quantidade e tamanho dos seus músculos.

 

Muitos distúrbios ou alterações de percepção da forma corporal surgem dessas insatisfações aparentemente inofensivas. Se sentir sempre gorda, apesar dos homens acharem que você está perdendo em “gostosura” ou se achar sempre “fraco” ou “pequeno”, mesmo que as mulheres já estejam te vendo como um “troglodita”, são situações paradigmáticas.

 homem mulher

Para as mulheres, moderadores de apetite, dietas com alta redução calórica, intervenções cirúrgicas, tratamentos corporais  e malhação. Para os homens, suplementos alimentares, dietas hiperprotéicas, anabolizantes e muita malhação. O discurso justificativo para algumas dessas práticas é o da busca por saúde e bem-estar. 

 

Diante dos extremos a que o comportamento humano pode chegar na busca pelo corpo ideal, essa noção de saúde e bem-estar pode ser questionada. Por outro lado, sob a perspectiva de que o corpo considerado saudável nos dias de hoje é aquele aparentemente jovem e “sarado”, “curado” dos males da velhice e da gordura, pode-se dizer que estamos diante de uma nova noção de saúde.

 

Quanto ao bem-estar, esse parece ser fundamentalmente social, baseado na conquista de um corpo admirado, desejado, invejado e, acredita-se, fonte de auto-estima, de sucesso no campo afetivo (e profissional) e de felicidade. Pelo menos é isso que tem mostrado as pesquisas que realizei nos últimos dez anos com centenas de homens e mulheres, de diferentes faixas etárias, pertencentes às chamadas camadas médias dos grandes centros urbanos.

 

Estudos desenvolvidos pelo antropólogo César Sabino, que durantes seis anos freqüentou academias de musculação para realização de sua dissertação de mestrado e tese de doutorado, nos ajudam a compreender melhor essas questões a partir da imersão no universo dos chamados “marombeiros” e das descobertas sobre o consumo de esteróides anabolizantes, entre outras substâncias, na construção de uma “elite” detentora de técnicas e formas corporais desejadas por muitos praticantes “comuns”.

 

César Sabino é graduado em História pela UERJ, Mestre em Sociologia e Doutor em Antropologia Cultural pelo PPGSA/ IFCS/ UFRJ e Pós-Doutor em Saúde Coletiva pelo IMS/ UERJ. Atualmente é Professor Adjunto de Sociologia no Departamento de Estudos Políticos da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO.

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César,  quem são os “marombeiros” e o que os diferencia dos praticantes de musculação comuns ? 

CS: Bem, “marombeiro”, na linguagem dos frequentadores assíduos de academias de musculação do Rio de Janeiro é todo aquele que apresenta um corpo musculoso acima da média dos demais praticantes de musculação. Como chamamos em antropologia, é uma categoria nativa que implica uma taxonomia nativa também. Assim sendo, há um sistema simbólico (uma linguagem) do grupo que hierarquiza a realidade social a partir das formas físicas que as pessoas apresentam. É óbvio que quanto mais próximo ao ideal do grupo (corpo com musculatura hipertrofiada) mais status porta aquele ou aquela  que apresenta este shape – como dizem. Assim, de forma generalizada, o contexto das academias é considerado, na visão dos próprios pesquisados, como constituído por 1) pessoas comuns (sem muito valor estético), isto é, aquelas que são novatas na prática de musculação e fitness e apresentam forma não musculosa – magros, gordos, “lisos”, etc.; 2) veteranos, também denominados “sarados”, que são praticantes assíduos de musculação e fitness e apresentam um corpo já com pronunciadas marcas de hipertrofia, grande quantidade de massa muscular aliada ao baixo teor de adiposidade; e, por fim, 3) os fisiculturistas: elementos raros no campo que apresentam uma forma musculosa elevada a potencias muito altas. Em geral, são competidores e instrutores de fisiculturismo. Esta tríade forma uma espécie de campo social hierarquizado como pirâmide, tendo na base os comuns, no meio os veteranos e acima os bodybuilders – a elite do músculo e do conhecimento prático de como produzir uma forma hipertrofiada ao máximo. Nisso implicado também todo um conjunto de conhecimentos  sobre o uso de alimentos, substâncias e remédios para a conquista da forma ideal. O praticante comum não apresenta o capital corporal necessário, a forma musculosa, para ingressar na sociabilidade da “elite” que tem o corpo belo (para o grupo) e o saber de como produzir e manter este corpo e estética.

 

malhados

 

O que querem os homens e as mulheres “marombeiros”? Há expectativas distintas, segundo o gênero?

CS: Querem ser bonitos e saudáveis. É isso que dizem. Mas temos que entender que saúde para o grupo é beleza. Quem não tem o corpo em forma – na forma representada pelo grupo – não tem saúde.

Em relação às distinções de gênero, percebemos, a princípio, que os homens preferem hipertrofiar mais a parte de cima do corpo – o tórax; embora não se esqueçam das pernas, o aumento da parte superior do corpo é prioridade. Já as mulheres preferem a hipertrofia da parte inferior do corpo, principalmente coxas, panturrilhas, e, é claro, as nádegas. Há uma grande preocupação com o tamanho do bumbum. Existem máquinas só para exercitar esta parte do corpo. Estas são sempre ocupadas por mulheres; os homens não as utilizam jamais. Em geral, esta divisão sexual do trabalho muscular acaba por delimitar também uma divisão do espaço nas academias, pois os pesos livres (anilhas e halteres) são muito mais utilizados pelos homens e as máquinas e exercícios para glúteos (quatro apoios, por exemplo) apenas  pelas mulheres. Portanto, as hierarquias de gênero são reforçadas no grupo. Se a maior parte – tanto homens quanto mulheres – busca hipertrofiar a musculatura, a diferença reside no fato de que as partes trabalhadas devem ser aquelas condizentes com os padrões estéticos de gênero – com todos os preconceitos e tabus inerentes a estes padrões.  

 

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O que te levou a estudar o uso de anabolizantes entre os “marombeiros”? 

CS: O estudo sobre a importância do uso destas substâncias para os bodybuilders apareceu durante o trabalho de campo – período no qual participei das práticas e da sociabilidade nas academias de musculação. Estava claro que a forma física nestes locais de sociabilidade era o centro do universo destas pessoas e que para alcançá-la valia tudo, ao menos por parte daqueles mais dedicados. O esteróide anabolizante surgiu como elemento crucial na produção dos rituais de construção da forma. Esta substância tem o risco do seu uso conhecido e reconhecido por parte dos usuários (o que, na época, contradizia a concepção biomédica e epidemiológica sobre a ignorância do usuário); e este conhecimento é elemento simbólico fundamental para a valorização do próprio processo de integração social do grupo. Em outras palavras, o risco é um fator positivo para a aquisição de status por parte dos bodybuilders ou “marombeiros”. Nesse sentido, a droga, o remédio, tem uma função social no grupo estudado. Ela não apenas auxilia na produção do corpo – que é a sociedade ali – como é item ritualístico fundamental para a reprodução do grupo, pois com ela se fundam as hierarquias corporificadas na carne e na pele dos marombeiros.  A droga e o seu uso também são ítens de segredo. Como escreveu um grande sociólogo do seculo XIX (Simmel), o segredo é a marca e a fortaleza de um grupo. Daí existir discurso exotérico – para o público, a imprensa – e discurso esotérico – para os pares, que fazem parte do grupo dos seletos e que devem e têm que manter segredo, visto que o saber a ele relacionado delimita a prática, organizando-a através do exercício da autoridade; processo que como ressaltou Max Weber pode vir a formar grupos de status com capitais específicos que não são necessariamente monetários.

 

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Considerando os possíveis prejuízos causados pelo uso de anabolizantes, o que justifica o risco para esse grupo? 

CS: O risco tem sua graça. Os marombeiros usam o risco como símbolo de destaque, status e coragem. É um desafio, um frisson. Arriscar a vida (pois alguns até morrem utilizando grandes quantidades de substâncias) está relacionado a certa simbologia ou economia do prazer. Há certo prazer e “lucro” neste processo. Há gozo no preço a pagar para se tornar um Apolo ou uma Afrodite. Neste aspecto, arriscar a vida é produzir, para utilizar a linguagem nativa ocidental marcada pelos saberes biológicos, “muita adrenalina”. É assim que o risco surge no jargão dos marombeiros: como algo importante que não confere apenas autoridade ao que se arrisca, mas também lhe proporciona prazer – o prazer do risco. Por outro lado, conforme destacou o sociólogo Pierre Bourdieu em seus trabalhos, o risco e a dificuldade que ele representa é um fator de valorização do papel alcançado em uma instituição. Desta maneira, quanto mais alguém sofre para conquistar um posto, mas valor ele dará àquele lugar, defendendo-o e reproduzindo as práticas  institucionais como um guardião.

 

Que outros hábitos de consumo, relacionados aos cuidados com a aparência e a forma física, fazem parte do estilo de vida dos “marombeiros”?

CS: Roupas que destacam as formas corporais; neste caso a roupa toda é acessório, pois como você (Marcelo Ramos) e a Mirian Goldenberg apontam em seus trabalhos, o “marombeiro” está vestido com sua massa muscular, está nu, porém  vestido! Neste aspecto, tanto homens e mulheres marombeiros necessitam igualmente de roupas que realcem sua musculatura. A roupa deve insinuar e mostrar bastante as partes “esculpidas”, infladas e “trabalhadas” com sangue, suor e bombas – é assim que os marombeiros denominam os anabolizantes: “bombas”.

É claro que consomem tudo que está relacionado à produção de um corpo “em forma”: revistas, nacionais e importadas, cremes para pele, bronzeadores artificiais além dos comuns, e muitos suplementos alimentares, remédios – para o fígado (único órgão que parece existir para os fisiculturistas) – e vitaminas. Enfim, tudo que está relacionado à produção da forma física. Neste processo se faz necessário perceber que o consumo  não é apenas uma marca que identifica o grupo, mas também é movimento lógico de classificação da sua realidade.

 

Quais são as principais contribuições dos seus estudos ?

CS: Apontar o uso destas drogas de Apolo (como as denomino, em oposição àquelas drogas de diversão, como o álcool, a cocaína e a maconha, que considero drogas dionisíacas) como função crucial na produção e reprodução de uma determinada “tribo” urbana já tem certo valor, pois não conheço nenhum trabalho que tenha feito isso antes de 2000. Também acho que destacar a percepção na qual o grupo é visto como conhecendo os riscos de uso destas substâncias- o que vai contra o sentido das propagandas do Ministério da Saúde que partem do pressuposto que o usuário é um desinformado ou alguém que não tem conhecimento de causa – e o próprio papel do risco como fator fundamental para a construção da identidade destas pessoas é uma contribuição não apenas para os estudos de Antropologia do Corpo, mas também para a Saúde Coletiva. Além de proporcionar o melhor entendimento destes grupos urbanos que por mais voláteis que sejam apresentam uma estrutura com lógica própria e que, não raro, remete ou representa processos sociais maiores como, por exemplo, o acirramento da divisão cartesiana entre corpo (máquina) e espírito (razão) na qual o primeiro é tratado como objeto ou coisa a ser consumida (já que é concebido como mecanismo), aprimorado e mesmo trocado como um carro ou uma roupa - aliás, remetendo as representações mecanicistas de universo presentes em nossa cultura, o anabolizante também é denominado “óleo” entre os marombeiros – ou ainda, a nossa (digo nossa querendo dizer da nossa sociedade de forma generalizada) vocação platônica de buscar eternamente um ideal sem nunca se satisfazer com o que já tem ou alcançou em um processo, o que gera  constante angústia e insatisfação, produzindo  consumo conspícuo; e, por fim, a confusão tão comum entre nós relacionada à concepção de saúde como beleza.

 

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Para saber mais: As Drogas de Apolo 

Postado em: Comportamento, Consumo, Cultura

RIO 2016 e o DNA Brasil 1 Comentário

ter. 27 de outubro de 2009

 Fabiana Rodrigues

Rio-2016

Como brasileira e carioca, não pude deixar de vibrar com a escolha do Rio de Janeiro para cidade sede dos jogos olímpicos de 2016. Da mesma forma, fiquei contente em saber, há alguns meses, que o Rio de Janeiro havia sido eleito a cidade mais feliz do mundo.

12

 

Bairrismos a parte, essas duas eleições chamam atenção para a influência que algumas características presentes no DNA Brasil exercem na forma como o Rio de Janeiro é visto pelo mundo, apesar dos pesares.        

 

O vídeo de apresentação do Rio 2016 explora muito bem as referências, conceitos, representações e práticas que compõem o chamado lifestyle carioca e que, ao que tudo indica, estão em sintonia com as tendências e conceitos emergentes observados internacionalmente.
para o post

 

Algumas pesquisas nacionais do nosso Observatório de Comportamento e Consumo, realizadas em parceria com o instituto Future Concept lab (FCL), de Milão, mostram que o Rio de janeiro reúne em sua geografia e cultura características que o transforma em um lugar privilegiado para a promoção de um estilo de vida, e de pensar, que emerge do compartilhamento democrático de espaços públicos, das sensações produzidas pelo contato com a natureza e do despojamento e descontração no convívio social. Aspectos presentes na concepção de felicidade dos cariocas e de muitos brasileiros das diferentes regiões do país.

 

No recém lançado livro “DNA Brasil: Tendências e Conceitos Emergentes para as Cinco Regiões Brasileiros”, entre as características mais marcantes que encontramos na região sudeste e nos “estilos de pensar” dos seus habitantes (particularmente no Rio de janeiro), destacam-se a valorização dos lugares e dos espaços e situações de compartilhamento, como as praças, parques, praias e botecos, e o prazer das sensações, que tem o corpo e a relação entre os cinco sentidos e as emoções como elementos centrais. Sentir o sol, o vento, a água, pisar na areia ou mesmo contemplar a natureza no caminho para o trabalho são situações, entre outras, que levam a esse tipo de experiência.    

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No mundo, como mostram pesquisas desenvolvidas pelo FCL em 25 países, os indivíduos percebem cada vez mais o valor dos prazeres simples, diários e possíveis na busca por bem-estar e felicidade. Mudanças no campo do consumo e no comportamento dos “consumidores-autores”, como bem definiu Francesco Morace, estão servindo para concretizar a simplicidade, o despojamento, o dia-a-dia, a tranqüilidade e o contato com a natureza como experiências felizes, possíveis e desejadas.

 

Vendo por esse aspecto, não seria difícil prever que o Rio tinha grandes chances de conquistar corações, emocionar e vencer, mostrando nosso estilo de vida e nossa felicidade como marcas de um país para o qual é chegada a hora.

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Veja o vídeo oficial Rio 2016: A Paixão nos une

Postado em: Comportamento, DNA Brasil, Tendências

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O Blog Comportamento e Consumo é uma iniciativa do Observatório de Comportamento e Consumo do SENAI/CETIQT, um núcleo de estudos e pesquisas voltado para o monitoramento do consumo no Brasil, em suas diferentes regiões. A partir de pesquisas que privilegiam os métodos qualitativos ou etnográficos de investigação, busca-se analisar as mudanças comportamentais e de valores observadas no país e compreender os significados subjacentes às representações e práticas dos brasileiros relacionadas direta ou indiretamente ao fenômeno do consumo. O objetivo é extrair tendências ou conceitos emergentes que sirvam de orientação para profissionais e empresas de diferentes ramos de atuação no enfrentamento de cenários futuros.

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